Tem gente que ama de corpo e alma; por uma noite; de coração; entorpecido (como Isobela e Raberto). Mesmo se pudesse eu não te amaria assim. Porque prefiro te amar como te amo. Não foi escolha, tenho certeza. Mas está bom assim. De carne e osso. Principalmente osso.
Estamos bem ligados entre nós. Há outras pessoas, é verdade. Elas são legais, é verdade. Há laços entre a gente, é verdade. Cada um é único, é verdade. E esse laço que te proponho só você pode amarrar.
Então, vem! Traz seu corpo mais pertinho do meu. Traz seu peso e as circunstâncias. Traz suas máscaras e a malícia. Suas lembranças e todas as saudades. Traz sua carne, treme o esqueleto. Me entrega seus ossos.
Sim, pois há quem diga que não viva sem cérebro, maconha, emoção, sem um bem, sem uns bens. Mas ninguém fala que não vive sem ossos. E isso é tão verdade quanto os outros. E essa é a verdade que ata nosso laço.
Porque nosso laço não vai só até a morte, que é logo ali, nem para todo o sempre, pois a eternidade não existe.
Mas pergunte a sua mãe, a algum amigo que te queira bem ou ao coveiro e saberá: quando você morrer seus cabelos e unhas crescerão por um tempo e só; seus ossos não crescerão, mas ficarão alimentando os vermes, a terra e os medos das pessoas. Te amarei até lá e nada mais.
Antes fosse romântico pra morrer de amor. Não sou. Morrerei dos pulmões ou do fígado; do vício. (Meus ossos estão bem). Antes meus sentimentos não fossem correspondidos para eu conhecer o platonismo além da literatura. Mas não. Estamos sintonizados.
Seu esqueleto não é tabu, nem blindado. Por que não falar dele? Não quer comprometer sua estrutura? Te desestabiliza? Acha que a carne e o sangue são suficientes? Pra mim são banais.
Comprometa-me-se no nosso amor! Não precisa ser todo, mas uma parte.
E vem pra mim de carne e osso. Principalmente osso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário